
Estava escuro e apenas a lua cheia que brilhava através do vidro do quarto lhe dava alguma luminosidade. Era suficiente para que eu a vislumbrasse sobre a cama, transmitindo-me uma áurea de paz como só ela conseguia nas últimas semanas.
Sentei-me a seu lado. Durante longos minutos não me atrevi a tocar-lhe, apenas contemplá-la. A calma que agora sentia apenas seria abalada pelo que se seguiria.
Como que a medo, toquei-lhe. Nada sucedeu. Demoradamente, os meus dedos percorreram todo o seu corpo, calcando caminhos já bem conhecidos de noites anteriores.
Frieza era a única recompensa que meus dedos recebiam em troca. Era como se ela soubesse. Como se quisesse esfriar o calor que eu sentira quando pouco antes uma mão quente me percorria fazendo-me sentir uma alegria de viver que julgava desaparecida.
Tomei-a nas minhas mãos acariciando-a uma última vez. Hoje, o meu amanhã não seria decidido por ela.
Tirei a única bala que sempre estava no tambor e coloquei-a na gaveta.
Não era traição, era uma vontade de viver renovada que me fazia substituir esta amante fatal por outra que verdadeiramente me abria as portas ao desconhecido.
Essas tuas mãos, esses teus dedos orgulhosos percorrerão pela vida fora corpos merecedores de tais encantos.
ResponderEliminarSejam esses corpos capazes de aquecer sob a influência destes meus dedos e serão deles merecedores.
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