
Como sempre havia algo mais que, com uma paciência de anjo condizente com o imaculado branco que a cobria, ia fazendo deste imenso prado o seu festim.
Era assim todos os dias logo que o sol começava a sua curva descendente no céu. Iniciava o seu lento percurso junto as árvores que lhe permitiam abrigar-se do ainda acentuado calor do sol e afastava-se em direção a uma estrada secundária raramente utilizada, não porque a falta de asfalto o não permitisse mas porque não levava a qualquer lugar.
Aí se detia cortando rente a relva já curta de dias anteriores até que ela aparecia. Nos primeiros tempos fugira mas progressivamente foi perdendo o medo e agora já não prescindia dos carinhos que ela lhe dava. E assim ficava, sentindo o calor da mão dela afagando o seu pelo. Aproveitava cada minuto desde que ela estendia a toalha no chão até que ouvia a chegada de outro carro indicando que era hora de se ir. Não gostava dele.
E no entanto hoje o som era diferente e nesse dia ele não era o mesmo.
Do seu posto de vigia não assistiu à carinhosa entrega de corpos que sempre via. O contacto agora parecia mais rude e os seus corpos nunca ficaram nus. A duração essa foi bem mais curta e os gritos não de carinho mas de agonia cessaram rapidamente quando as mão daquele homem se fecharam no pescoço dela.
Era normal que ela ficasse num estado de dormência, parecendo saborear cada momento passado, enquanto ele se afastava. Até isso hoje parecia diferente. O seu corpo não deixava transparecer qualquer movimento e nem a sua aproximação para se despedir parecia surtir efeito.
Como que em tom de beijo afagou os seus cabelos com o seu focinho e depois afastou-se.
Já não lhe agradava aquele local ... amanhã iria pastar para outro lado